sábado, 11 de dezembro de 2010

"Não sou para todos. Gosto muito do meu mundinho. Ele é cheio de surpresas, palavras soltas e cores misturadas. Às vezes tem um céu azul, outras tempestade. Lá dentro cabem sonhos de todos os tamanhos. Mas não cabe muita gente. Todas as pessoas que estão dentro dele não estão por acaso. São necessárias .. !

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Eu ainda não havia me dado conta da importância de encerrar ciclos. Pois hoje tive a prova concreta da necessidade de pôr fim em certas coisas que não fazem mais parte de minha vida, para que outras coisas melhores tenham espaço para entrar. Mas foi assim, na prática mesmo, que descobri isso. Incrível como passamos batido, como não percebemos que o Universo sempre conspira a nosso favor...

Outra coisa simples e incrível: estava eu caminhando e rindo sozinha na rua. A felicidade havia batido em minha porta hoje e  não consegui disfarçar minha alegria. Qual não foi minha surpresa ao cruzar por três pessoas também rindo sozinhas. Nunca prestei atenção a esses detalhes. Descobri  que as pessoas riem sozinhas na rua não porque são loucas, desiquilibradas, mas porque estão verdadeiramente felizes por algum motivo especial...

A cada dia, um aprendizado,
E o ano encerrando...
Eiita...

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010




Não acredito em pessoas que se complementam.
Acredito em pessoas que se somam.
Às vezes, você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro.
E não temos esta coisa completa.
Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é malhada, mas não é sensível.
Tudo nós não temos.
Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro.Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia.
E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona…
Acho que o beijo é importante…e se o beijo bate…se joga…senão bate…mais um Martini, por favor…e vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra.
O outro tem o direito de não te querer.
Não lute, não ligue, não dê pití.
Se a pessoa tá com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto.
Ele titubeia, tem dúvidas e medos mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta.
Nada de drama.
Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro, recessão de família?
O legal é alguém que está com você por você.
E vice versa.
Não fique com alguém por dó também.
Ou por medo da solidão.
Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado.
E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro.
Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?
Gostar dói.
Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração.
Faz parte. Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo.E nem sempre as coisas saem como você quer…
A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta.
Se não quer se envolver, namore uma planta.
É mais previsível.
Na vida e no amor não temos garantias.
E nem todo sexo bom é para namorar.
Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.Nem todo beijo é para romancear.
Nem todo sexo bom é para descartar. Ou se apaixonar. Ou se culpar.
Enfim… Quem disse que ser adulto é fácil?

Arnaldo Jabor

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Esses dias li o livro Vivendo e Aprendendo, de Roberto Shinyashiki, que fala sobre algumas lições que o autor recebeu da vida. Ele pede ao leitor que escute In My Life (The Beatles) antes de iniciar a leitura.. E eu como sou muiiito curiosa, fui escutar a tal música. Nossaa, linda demais... E para não passar em branco, aí  estão vídeo e tradução da letra.



In My Life


Em Minha Vida
(The Beatles)


Há lugares de que me lembro

Toda minha vida, apesar de alguns terem mudado

Alguns para sempre, não para melhor

Alguns se foram e alguns permanecem



Todos esses lugares tem seus momentos

Com amores e amigos que eu ainda me lembro

Alguns estão mortos e alguns ainda vivem

Em minha vida, eu amei todos eles

Mas de todos esses amigos e amores

Não tem nenhum que se compare a você

E essas memórias perdem o sentido

Quando eu penso no amor como algo novo



Apesar de saber que nunca vou perder o amor

Pelas pessoas e coisas que vieram antes

Eu sei que sempre vou parar e pensar neles

Em minha vida, te amarei mais

 
Apesar de saber que nunca vou perder o amor

Pelas pessoas e coisas que vieram antes

Eu sei que sempre vou parar e pensar neles

Em minha vida, te amarei mais

 
Em minha vida, te amarei mais

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Às Vezes

Às vezes, as pessoas que amamos nos magoam e nada podemos fazer, senão continuar a nossa jornada com nosso coração machucado.
Às vezes nos falta esperança, mas alguém aparece para nos confortar.
Às vezes o amor nos machuca profundamente e vamos nos recuperando muito lentamente dessa ferida tão dolorosa.
Às vezes perdemos nossa fé, então descobrimos que precisamos acreditar, tanto quanto precisamos respirar; é nossa razão de existir.
Às vezes estamos sem rumo, mas alguém entra em nossa vida e se torna o nosso destino.
Às vezes estamos no meio de centenas de pessoas e a solidão aperta nosso coração pela falta de uma única pessoa.
Às vezes a dor nos faz chorar, nos faz sofrer, nos faz querer parar de viver, até que algo toque nosso coração, algo simples como a beleza de um pôr do sol, a magnitude de uma noite estrelada, a simplicidade de uma brisa batendo em nosso rosto; é a força da natureza nos chamando para a vida.
Você descobre que as pessoas que pareciam ser sinceras e receberam sua confiança, a traíram sem qualquer piedade.
Você entende que o que para você era amizade, para outros era apenas conveniência, oportunismo.
Você descobre que algumas pessoas nunca disseram eu te amo e por isso nunca fizeram amor, apenas transaram, descobre também que outras disseram eu te amo uma única vez e agora temem dizer novamente, e com razão, mas se o seu sentimento for sincero poderá ajudá-las a reconstruir um coração quebrantado.
Assim ao conhecer alguém, preste atenção no caminho que essa pessoa percorreu. São fatores importantes:

a) a relação com a família;
b) as condições econômicas nas quais se desenvolveu (dificuldades extremas ou facilidades excessivas formam um caráter);
c) os relacionamentos anteriores e as razões do rompimento;
d) seus sonhos, ideais e objetivos.

Não deixe de acreditar no amor, mas certifique-se de estar entregando seu coração para alguém que dê valor aos mesmos sentimentos que você dá, manifeste suas idéias e planos, para saber se vocês combinam, esteja aberto a algumas alterações, mas jamais abra mão de tudo, pois se essa pessoa te deixar, então nada irá lhe restar.
Aproveite ao máximo seus momentos de felicidade, quando menos esperamos iniciam-se períodos difíceis em nossas vidas.
Tenha sempre em mente que às vezes tentar salvar um relacionamento, manter um grande amor, pode ter um preço muito alto se esse sentimento não for recíproco, pois em algum outro momento essa pessoa irá te deixar e seu sofrimento será ainda mais intenso do que teria sido no passado.
Pode ser difícil fazer algumas escolhas, mas muitas vezes isso é necessário, existe uma diferença muito grande entre conhecer o caminho e percorrê-lo.
Não procure querer conhecer seu futuro antes da hora, nem exagere em seu sofrimento, esperar é dar uma chance à vida para que ela coloque a pessoa certa em seu caminho.
A tristeza pode ser intensa, mas jamais será eterna.
A felicidade pode demorar a chegar, mas o importante é que ela venha para ficar e não esteja apenas de passagem, como acontece com muitas pessoas que cruzam nosso caminho.

(Desconheço Autor)
Nossaaaa...quanto tempo hein? Nem sei se ainda sei escrever (rsrsrs...).
Minha vida mudou completamente neste intervalo de três meses. Mudei de casa, de cidade, de estado. Disse que ia fazer...e fiz! Devido a isso faltou-me tempo e um pouquinho de disposição para postar no blog, não vou mentir. Agora, é só esperar o resultado das mudanças, que óbvio, deverá ser bom , porque onde há vontade, há caminhos.

Então...
Tô de volta!
Bjussss à todos!!!!

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A Solidão Contente


Ivan Martins

Editor Executivo Revista Época


Ontem eu levei uma bronca da minha prima. Como leitora regular desta coluna, ela se queixou, docemente, de que eu às vezes escrevo sobre “solidão feminina” com alguma incompreensão.
 
Ao ler o que eu escrevo, ela disse, as pessoas podem ter a impressão de que as mulheres sozinhas estão todas desesperadas – e não é assim. Muitas mulheres estão sozinhas e estão bem. Escolhem ficar assim, mesmo tendo alternativas. Saem com um sujeito lá e outro aqui, mas acham que nenhum deles cabe na vida delas. Nessa circunstância, decidem continuar sozinhas.

Minha prima sabe do que está falando. Ela foi casada muito tempo, tem duas filhas adoráveis, ela mesma é uma mulher muito bonita, batalhadora, independente – e mora sozinha. Ontem, enquanto a gente tomava uma taça de vinho e comia uma tortilha ruim no centro de São Paulo, ela me lembrou de uma coisa importante sobre as mulheres: o prazer que elas têm de estar com elas mesmas.

“Eu gosto de cuidar do cabelo, passar meus cremes, sentar no sofá com a cachorra nos pés e curtir a minha casa”, disse a prima. “Não preciso de mais ninguém para me sentir feliz nessas horas”.

Faz alguns anos, eu estava perdidamente apaixonado por uma moça e, para meu desespero, ela dizia e fazia coisas semelhantes ao que conta a minha prima. Gostava de deitar na banheira, de acender velas, de ficar ouvindo música ou ler. Sozinha. E eu sentia ciúme daquela felicidade sem mim, achava que era um sintoma de falta de amor.

 

Hoje, olhando para trás, acho que não tinha falta de amor ali. Eu que era desesperado, inseguro, carente. Tivesse deixado a mulher em paz, com os silêncios e os sais de banho dela, e talvez tudo tivesse andado melhor do que andou.

Ontem, ao conversar com a minha prima, me voltou muito claro uma percepção que sempre me pareceu assombrosamente evidente: a riqueza da vida interior das mulheres comparada à vida interior dos homens, que é muito mais pobre.

A capacidade de estar só e de se distrair consigo mesma revela alguma densidade interior, mostra que as mulheres (mais que os homens) cultivam uma reserva de calma e uma capacidade de diálogo interno que muitos homens simplesmente desconhecem.

A maior parte dos homens parece permanentemente voltada para fora. Despeja seus conflitos interiores no mundo, alterando o que está em volta. Transforma o mundo para se distrair, para não ter de olhar para dentro, onde dói.

Talvez por essa razão a cultura masculina seja gregária, mundana, ruidosa. Realizadora, também, claro. Quantas vuvuzelas é preciso soprar para abafar o silêncio interior? Quantas catedrais para preencher o meu vazio? Quantas guerras e quantas mortes para saciar o ódio incompreensível que me consome?

A cultura feminina não é assim. Ou não era, porque o mundo, desse ponto de vista, está se tornando masculinizado. Todo mundo está fazendo barulho. Todo mundo está sublimando as dores íntimas em fanfarra externa. Homens e mulheres estão voltados para fora, tentando fervorosamente praticar a negligência pela vida interior – com apoio da publicidade.

Se todo mundo ficar em casa com os seus sentimentos, quem vai comprar todas as bugigangas, as beberagens e os serviços que o pessoal está vendendo por aí, 24 horas por dia, sete dias por semana? Tem de ser superficial e feliz. Gastando – senão a economia não anda.

Para encerrar, eu não acho que as diferenças entre homens e mulheres sejam inatas. Nós não nascemos assim. Não acredito que esteja em nossos genes. Somos ensinados a ser o que somos.

Homens saem para o mundo e o transformam, enquanto as mulheres mastigam seus sentimentos, bons e maus, e os passam adiante, na rotina da casa. Tem sido assim por gerações e só agora começa a mudar. O que virá da transformação é difícil dizer.

Mas, enquanto isso não muda, talvez seja importante não subestimar a cultura feminina. Não imaginar, por exemplo, que atrás de toda solidão há desespero. Ou que atrás de todo silêncio há tristeza ou melancolia. Pode haver escolha.

Como diz a minha prima, ficar em casa sem companhia pode ser um bom programa – desde que as pessoas gostem de si mesmas e sejam capazes de suportar os seus próprios pensamentos. Nem sempre é fácil.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

"..Há tanta coisa no meu destino que não posso controlar, mas outras coisas estão, sim, sob minha jurisdição. Existem determinados bilhetes de loteria que posso comprar, aumentando assim,  minhas chances de encontrar satisfação. Posso decidir como gasto meu tempo, com quem interajo, com quem compartilho meu corpo,minha vida,meu dinheiro e minha energia. Posso decidir o que como, o que leio, e o que estudo. Posso escolher como vou encarar as circunstâncias desafortunadas da minha vida - se as verei como maldições ou como oportunidades ( e, quando não tiver forças para adotar o ponto de vista mais otimista, porque estou sentindo pena demais de mim mesma, posso decidir continuar tentando mudar minha atitude). Posso escolher minhas palavras e o tom de voz com que falo com os outros. E, acima de tudo, posso escolher meus pensamentos..."

(Do livro Comer, Rezar e Amar)  P.S: aquele que ainda não li...

domingo, 15 de agosto de 2010

" No íntimo todas as pessoas são frágeis e sensíveis. Não acredito que a idade ou a experiência façam muita diferença. Até as pessoas mais grosseiras carregam no seu interior sentimentos de ternura e emoções do coração.
É por isso que, nos relacionamentos, as pequenas coisas são as grandes coisas."

[Stephen Covey]

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Antiguinho, mas bem bonitinho!


Fico Assim Sem Você - Adriana Calcanhoto

Ôpaaa...

Mano Menezes na seleção?
Que Deus o abençôe e os anjos digam amém...
"Eu acredito que nada acontece por acaso. As pessoas mudam para que você consiga deixá-las para lá. As coisas dão mal para você aprender a apreciá-las quando estão boas. E às vezes, coisas boas se separam para que coisas melhores ainda se juntem."

Marilyn Monroe

De volta...

Faz tempo que sumi hein?
Calma...a parada faz parte da caminhada.
Mas já estou de volta,
Renovada!
Tudo acontece da forma que tem que acontecer...

Bjusss à todos!!!

sábado, 17 de julho de 2010

O recado do Sábio...

" Mestre interior é a serenidade que vem da certeza de que sempre existirá uma passagem que leve, do escuro profundo, para a luz clara do dia, sempre. Sua orientação se dá quando a intuição se faz mais forte que as dúvidas da razão, e diz que essa é a hora e aquela a direção."

domingo, 11 de julho de 2010

" De nossa felicidade conservamos somente uma impressão superficial, e mesmo os golpes mais dolorosos hão de cicatrizar com o tempo. Thomas Browne

O adeus à Jabulani



E a Copa acabou. Que Pena!!
Mas mesmo depois de todos os fiascos, decepções, estrelas que não brilharam, narrações e comentários sem nexo do Galvão Bueno e daquele barulho infernal das vuvuzelas...juro que sentirei falta. Sobretudo de ver  a  alegria dos africanos (que deram um show a parte) e a tristeza do Maradona, depois que "caiu de quatro". Também farão falta as previsões do polvo Paul, com o qual já agendei uma "consulta" para saber sobre meu futuro glorioso.
Gosto de futebol. Gosto mesmo. Não estava apostando na Espanha como campeã, mas enfim...a maioria dos jogadores eram linnnndos, então valeu a pena assistir aos jogos. Agora terei que me contentar com o Campeonato Brasileiro mesmo. Que perde toda a graça depois de uma copa, claro.
Mas vâmu que vâmu...2014 já tá "quase" aí e o negócio é ter fé. Que venha o Hexa! Mas se não vier também, azar do goleiro!

Tema Oficial do Mundial Africano - Waka Waka (Shakira)


" Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder.  A noção ou o sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade. "  Cecília Meireles
" Todo o bem que pudermos fazer, toda ternura que pudermos dar a um ser humano, que o façamos agora, neste momento, porque não passaremos duas vezes pelo mesmo caminho. "

quinta-feira, 8 de julho de 2010

" Se você quer transformar o mundo, experimente primeiro promover seu aperfeiçoamento pessoal e realizar inovações em seu próprio interior. Tudo o que fazemos produz efeitos, causa algum impacto. "

(Dalai Lama)

"Aprendi através da experiência amarga, a suprema lição: controlar a minha ira e torná-la como o calor que é convertido em energia. Nossa ira controlada pode ser convertida numa força capaz de mover o mundo." (Mahatma Gandhi)


Sutilmente

E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estive fogo
Suavemente se encaixe...
E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce...
Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate não
Dentro de ti...
Mesmo que o mundo
Acabe enfim
Dentro de tudo
Que cabe em ti

Skank
As Indagações

A resposta certa, não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas.

[Mário Quintana]

quarta-feira, 7 de julho de 2010




Fonte: Blog Frases Ilustradas

terça-feira, 6 de julho de 2010

Tuareg

Os tuaregs são um grupo étnico da região do Sahara, que falam uma língua berber. Se auto denominam  Kel Tamasheq ou Kel Tamajaq ("falantes de Tamasheq"), e também Imouhar, Imuhagh, ou Imashaghen ("os livres"). É uma civilização bem curiosa. Estima-se que existam entre 100000 e 3,5 milhões nos vários países que partilham aquele deserto. O texto abaixo, é uma belíssima entrevista realizada pelo jornalista catalão Victor M. Amela, com o tuareg Moussa Ag Assarid, que publicou na França o livro: "Não Há  Engarrafamentos No Deserto!"



Entrevista de um Tuareg






Não sei a minha idade. Nasci no deserto do Saara sem documentos .
Nasci em um acampamento de nômades Tuaregs entre Timbuctu e Gao, ao norte de Mali .
Fui pastor de camelos, cabras, cordeiros e vacas do meu pai. Hoje estudo gestão na Universidade de Montpellier. Estou solteiro. Defendo os pastores Tuaregs. Sou muçulmano, sem fanatismo .

- Que turbante, tão formoso .

- É uma fina tela de algodão, permite tapar o rosto no deserto e, continuar a ver e respirar através dele .

- É e um azul belíssimo!

- Nós os Tuaregs, somos chamados de homens azuis por isso; o tecido solta alguma tinta e nossa pele adquire tons azulados .

- Como conseguem este tom de anil ?

- Com uma planta chamada índigo, mesclada com outros pigmentos naturais. Para os Tuaregs o azul é a cor do mundo .

- Por quê ?

- É a cor dominante. É a cor do céu, do teto da nossa casa.

- Quem são os Tuaregs ?

- Tuareg significa "abandonado", porque somos um velho povo nômade do deserto, solitários e orgulhosos.  " Senhores do deserto", é como nos chamam. Nossa etnia é a amasigh ( bereber ) e o nosso alfabeto, o tifinagh.

- Quantos são ?

- Uns três milhões , e a maioria permanece nômade. Mas a população diminuiu .
“ É preciso que um povo desapareça para que saibamos que ele existiu", apregoava um sábio. Eu luto para preservar este povo .

- A que se dedicam ?

- Pastoreamos rebanhos de cabras, camelos, cordeiros,  vacas e asnos, num reino de imensidão e silêncio.

- O deserto é realmente tão silencioso ?

- Quando se está sozinho naquele silêncio, ouve-se o batimento do próprio coração. Não há lugar melhor para se estar sozinho .

- Quais recordações de sua infância você conserva com mais nitidez ?

- Desperto com a luz do sol e ali estão as cabras de meu pai. Elas nos dão leite e carne, nós as levamos onde há água e pasto… Assim fizeram meu bisavô, meu avô e meu pai….e eu. Não havia outra coisa no mundo além disso. E eu era muito feliz com isso .

- De fato! Não parece muito estimulante…

- Mas é muito! Aos 7 anos já te deixam afastar-se do acampamento para que aprendas coisas importantes: farejar o ar , escutar , apurar a vista , e as estrelas …
E a deixar-se levar pelo camelo. Se você se perder, ele o levará onde há água .

- Saber isso é valioso, sem dúvida …

- Ali tudo é simples e profundo. Existem muito poucas coisas. E cada uma tem um enorme valor!

- Então esse mundo e aquele são muito diferentes ?

- Ali cada pequena coisa te proporciona felicidade. Cada toque é valorizado. Sentimos uma enorme alegria pelo simples fato de nos tocarmos e estarmos juntos. Ali ninguém sonha com chegar a ser , porque cada um já o é .

- O que mais o chocou em sua primeira viagem à Europa ?

- Ver as pessoas correndo pelo aeroporto. No deserto só se corre quando vem uma tempestade de areia. Me assustei, é claro!

- Eles iam apenas buscar suas malas

- Sim! Era isso. Também vi cartazes de mulheres nuas. Me perguntei: por que esta falta de respeito para com a mulher? Depois no Íbis Hotel, vi a primeira torneira da minha vida, vi a água correndo e senti vontade de chorar …

- Que abundância! Que desperdício,  não?

- Todos os dias da minha vida consistiam em procurar água. Quando vejo as fontes ornamentais aqui e acolá, continuo sentindo por dentro uma dor tão intensa …
- Tanto assim ?

- Sim! No começo dos anos 90 houve uma grande seca. Morreram animais e nós também adoecemos. Eu tinha uns 12 anos e minha mãe morreu. Ela era tudo para mim! Me contava histórias e ensinou-me a contá-las muito bem . Ela me ensinou a ser eu mesmo .

- O que sucedeu com a sua família ?

- Convenci meu pai que me deixasse ir á escola. Quase todo dia caminhava 15 km. Até que um dia o professor me arranjou um lugar para dormir e uma senhora me dava o que comer, quando eu passava em frente a sua casa. Entendi que esta ajuda vinha da minha mãe .

- De onde surgiu este desejo de estudar ?

- Uns dois anos antes havia passado pelo nosso acampamento o rally Paris- Dakar, e uma jornalista havia deixado cair um livro da sua mochila. Eu o apanhei e o entreguei. Ela me deu o mesmo de presente. Era um exemplar do Pequeno Príncipe e eu me prometi que um dia consiguiria lê-lo .

- E conseguiu ?

- Foi assim que consegui uma bolsa de estudos na França.

- Um Tuareg na Universidade!

- Ah! O que mais sinto falta aqui é o leite de camela… E o calor da fogueira, e de andar com os pés descalços na areia quente. Lá nós olhamos as estrelas todas as noites e cada estrela é diferente das outras como cada cabra é diferente. Aqui á noite, você olha para a TV.

- Sim! E o que você acha pior aqui ?

-Vocês tem tudo, mas não acham suficiente. Vocês se queixam. Na França passam a vida reclamando! Aprisionam-se pelo resto da vida a uma dívida bancária, num desejo de possuir tudo rapidamente …
No deserto não há congestionamentos e você sabe por quê? Porque lá ninguém quer ultrapassar ninguém!

- Conte-me um momento de extrema felicidade no seu deserto distante .

- Todo dia, duas horas antes do pôr-do-sol, a temperatura abaixa, mas ainda não chegou o frio , e os homens e os animais , lentamente voltam para o acampamento e seus perfis são recortados em um céu cor-de-rosa, azul, vermelho, amarelo, verde…

- Fascinante, na verdade …

- É um momento mágico. Entramos todos na cabana e colocamos o chá para ferver. Sentámo-nos em silêncio a ouvir a ebulição… A calma invade todos nós e o nosso coração bate no ritmo da fervura…

- Que paz!

 - Aqui vocês tem relógio, lá nós temos o tempo! 
" O que for a profundeza de teu ser, assim será teu desejo. O que for teu desejo, assim será tua vontade. O que for tua vontade, assim serão teus atos. O que forem teus atos, assim será a tua vida."  [Brihadáranyaka Upanishad]





À propósito:

Os dias estão sendo contados um a um,
hora a hora, minuto a minuto.
Falta pouco, muito pouco para que tudo aconteça.
Não tenho medo!
Não há mais nada que eu possa perder nessa vida.
Tudo agora, é apenas recomeço.
Novos lugares, pessoas, sentimentos...
A paz que tanto preciso, já sei onde encontrar!

Bjsss à todos!!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Desça do Ônibus

Hoje recebi um email com o mesmo título desta postagem. É sobre um fato que foi noticiado em abril, próximo ao período da Páscoa, mas achei tão absurdo, que resolvi transcrever aqui o conteúdo adaptado. Confirmei sua veracidade dando uma pesquisada em notícias da época. Vou me abster de tecer maiores comentários, porque estou aprendendo que as pessoas estão em tempos diferentes de evolução e que, algumas coisas que julgamos erradas, elas fazem por ignorância. A cobrança será maior aos que tem entendimento, porque sobre os ignorantes, já dizia nosso mestre Jesus: "Pai, perdoa-os. Eles não sabem o que fazem."
Enfim...confira o texto:


Desça do ônibus

Para quem não sabe, no mês de abril os jogadores do Santos foram convidados a visitar um hospital em que são tratadas crianças portadoras de deficiências mentais, para entregar ovos de Páscoa. Já na porta do hospital, alguns jogadores ficaram sabendo que ele está ligado a entidades espíritas (Lar Espírita Mensageiros da Luz). Uma parte dos atletas, entre eles, Robinho, Neymar, Ganso e Fabio Costa, se recusaram a entrar na entidade e preferiram ficar dentro do ônibus do clube, sob a alegação que são evangélicos. Outros jogadores entraram no hospital e cumpriram a tarefa para a qual haviam se deslocado até ali. Criticado, como os demais do grupo resistente, Robinho exigiu: "- É preciso que respeitem a religião da gente".
Ed René Kivitz, Pastor evangélico e santista desde pequenino, faz as seguintes poderações:
Os meninos da Vila pisaram na bola. Mas prefiro sair em sua defesa. Eles não erraram sozinhos. Fizeram a cabeça deles. O mundo religioso é mestre em fazer a cabeça dos outros. Por isso cada vez mais me convenço que o Cristianismo implica a superação da religião, e cada vez mais me dedico a pensar nas categorias da espiritualidade, em detrimento das categorias da religião.
A religião está baseada nos ritos, dogmas e credos, tabus e códigos morais de cada tradição de fé. A espiritualidade está fundamentada nos conteúdos universais Bíblia e de cada uma das tradições de fé. Quando você começa a discutir quem vai para céu e quem vai para o inferno, ou se Deus é a favor ou contra à prática do homossexualismo,ou mesmo se você tem que subir uma escada de joelhos ou dar o dízimo na igreja para alcançar o favor de Deus, você está discutindo religião.
Quando você começa a discutir se o correto é a reencarnação ou a ressurreição, a teoria de Darwin ou a narrativa do Gênesis, e se o livro certo é a Bíblia ou o Corão, você está discutindo religião.
Quando você fica perguntando se a instituição social é espírita kardecista, evangélica, ou católica, você está discutindo religião.
O problema é que toda vez que você discute religião você afasta as pessoas umas das outras, promove o sectarismo e a intolerância.
A religião coloca de um lado os adoradores de Allá, de outro os adoradores de Yahweh, e de outro os adoradores de Jesus. Isso sem falar nos adoradores de Shiva, de Krishna e devotos do Buda, e por aí vai.
E cada grupo de adoradores deseja a extinção dos outros, ou pela conversão à sua religião, o que faz com que os outros deixem de existir enquanto outros e se tornem iguais a nós, ou pelo extermínio através do assassinato em nome de Deus, ou melhor, em nome de um deus, com d minúsculo, isto é, um ídolo que pretende se passar por Deus.
Mas quando você concentra sua atenção e ação, sua práxis, em valores como reconciliação, perdão, misericórdia, compaixão, solidariedade, amor e caridade, você está no horizonte da espiritualidade, comum a todas as tradições religiosas. E quando você está com o coração cheio de espiritualidade, e não de religião, você promove a justiça e a paz.
Os valores espirituais agregam pessoas, aproxima os diferentes, fazem com que os discordantes no mundo das crenças se dêem as mãos no mundo da busca de superação do sofrimento humano, que a todos nós humilha e iguala, independentemente de raça, gênero, e inclusive religião.
Em síntese, quando você vive no mundo da religião, você fica no ônibus. Quando você vive no mundo da espiritualidade que a sua religião ensina – ou pelo menos deveria ensinar - você desce do ônibus e dá um ovo de páscoa para uma criança que sofre a tragédia e miséria de uma paralisia mental.

**

P.S.:Para os desavisados, eis o significado da palavra Caridade, segundo o dicionário Aurélio:

Caridade: No vocabulário cristão, o amor que move a vontade à busca efetiva do bem de outrem e procura identificar-se com o amor de Deus; ágape, amor-caridade; benevolência, beneficiência, complacência, compaixão. Uma das virtudes teologais.

Em suma, no meu entender, qualquer religião que não prega a caridade, não prega o amor de Deus.

Bjuss à todos!

domingo, 4 de julho de 2010

Boooa!


MURO DAS LAMENTAÇÕES



Fonte: Blog Caixa Pretta
“ Num deserto de almas também desertas,
uma alma especial reconhece de imediato a outra.”

...

Hoje escutei essa música do Cazuza, e achei pertinente colocá-la aqui, porque é linda demais...


Quase Um Segundo

Eu queria ver no escuro do mundo
onde está tudo o que você quer
pra me transformar no que te agrada
no que me faça ver
quais são as cores e as coisas pra te prender
eu tive um sonho ruim e acordei chorando
por isso eu te liguei
será que você ainda pensa em mim
será que você ainda pensa

As vezes te odeio por quase um segundo
depois te amo mais
teus pelos teu gosto teu rosto tudo
tudo que não me deixa em paz
Quais são as cores e as coisas pra te prender
eu tive um sonho ruim e acordei chorando
por isso eu te liguei,
será que você ainda pensa em mim
será que você ainda pensa

Cazuza
" Viver é super difícil. 
O mais fundo está sempre
na superfície. "

Paulo Leminski

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Se Fu...





Ahh pois é...não deu mais uma vez. Estava tudo muito bom, tudo muito bem, o povo matando serviço, aula, estágio, consulta ao médico e Pá...todo mundo Se Fu! Eu não assisti a todos os jogos da Seleção do início ao fim, mas tenho duas razões bem simples para seu fracasso:

1° e principal:  O técnico era colorado pé rachado. Indício fortíssimo de que não daria muito certo, porque o que começa errado, termina errado, óbvio!

2º e não menos importante: Por ser colorado pé rachado (e...e...teimoso) não escalou nenhum jogador do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense (olha que nome chique e pomposo) e portanto, só podia dar nisso mesmo. E ainda queria ganhar a Copa? Toliinho...

Mas claro que essa opinão nada tem a ver com o fato do meu sangue ser azul, minha alma Tricolor e meu orgulho, gremista. Nãnãnã, negativo, de jeito nenhum. Huahauhauahauhaua...Fazer o quê né? Eiitaa...

De volta a vida normal, deixo aqui um abraço pra quem fica! Literalmente!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Achei uma das respostas



True To Myself   - Ziggy Marley

(...) Estou seguindo em frente, sim, eu estou seguindo em frente, e finalmente estou livre...
E tenho de ser verdadeiro comigo mesmo

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Sorriso amarelo num canto da boca...
Peguei um pensamento, num salto,
No escuro.
Na verdade, já nem penso mais, só sonho...
E eis aí um poder,
que achei
que não tinha!

Poder e ação...ainda pode me sentir? Ainda vai reagir?

Acho que não...

(Carla Lisiane)

P.S.: Num desses arroubos momentâneos, tornei-me novamente a sombra de um poeta. Posso fazer o que quiser. E ora, vejam só...eu quero!

A difícil arte de ir ao banheiro


O grande segredo de todas as mulheres com relação aos banheiros é que quando pequenas, quem as levava ao banheiro era sua mãe. Ela ensinava a limpar o assento com papel higiênico e cuidadosamente colocava tiras de papel no perímetro do vaso e instruía: "Nunca, nunca sente em um banheiro público". E, em seguida, mostrava "a posição", que consiste em se equilibrar sobre o vaso numa posição de sentar sem que, no entanto, o corpo não entre em contato com o vaso.
"A Posição" é uma das primeiras lições de vida de uma menina, super importante e necessária, e irá nos acompanhar por toda a vida. No entanto, ainda hoje, em nossa vida adulta, "a posição" é dolorosamente difícil de manter, quando a bexiga está estourando.
Quando você TEM que ir ao banheiro público, você encontra uma fila de mulheres, que faz você pensar que o Bradd Pitt deve estar lá dentro. Você se resigna e espera, sorrindo para as outras mulheres que também estão com braços e pernas cruzados na posição oficial de "estou me mijando".
Finalmente chega a sua vez, isso, se não entrar a típica mamãe com a menina que não pode mais se segurar.
Você, então verifica cada cubículo por baixo da porta para ver se há pernas. Todos estão ocupados. Finalmente, um se abre e você se lança em sua direção quase puxando a pessoa que está saindo.
Você entra e percebe que o trinco não funciona (nunca funciona); não importa... você pendura a bolsa no gancho que há na porta e se não há gancho (quase nunca há gancho), você inspeciona a área...o chão está cheio de líquidos não identificados e você não se atreve a deixar a bolsa ali, então você a pendura no pescoço enquanto observa como ela balança sob o teu corpo, sem contar que você é quase decapitada pela alça porque a bolsa está cheia de bugigangas que você foi enfiando lá dentro, a maioria das quais você não usa, mas que você guarda porque nunca se sabe...
Mas, voltando à porta...
Como não tinha trinco, a única opção é segurá-la com uma mão, enquanto, com a outra, abaixa a calcinha com um puxão e se coloca "na posição".
Alívio...... AAhhhhhh.....finalmente....
Aí é quando os teus músculos começam a tremer ...
Porque você está suspensa no ar, com as pernas flexionadas e a calcinha cortando a circulação das pernas, o braço fazendo força contra a porta e uma bolsa de 5 kg pendurada no pescoço. Você adoraria sentar, mas não teve tempo de limpar o assento nem de cobrir o vaso com papel higiênico. No fundo, você acredita que nada vai acontecer, mas a voz de tua mãe ecoa na tua cabeça "jamais sente em um banheiro público!!!" e, assim, você mantém "a posição" com o tremor nas pernas...
E, por um erro de cálculo na distância, um jato finíssimo salpica na tua própria bunda e molha até tuas meias!! Por sorte, não molha os sapatos.
Adotar "a posição" requer grande concentração. Para tirar essa desgraça da cabeça, você procura o rolo de papel higiênico, maaassss, puuuuta que o pariuuuu...! O rolo está vazio...! (sempre)
Então você pede aos céus para que, nos 5kg de bugigangas que você carrega na bolsa, haja pelo menos um miserável lenço de papel. Mas, para procurar na bolsa, você tem que soltar a porta. Você pensa por um momento, mas não há opção...
E, assim que você solta a porta, alguém a empurra e você tem que freiá-la com um movimento rápido e brusco enquanto grita OCUPAAADOOOO!!!
Aí, você considera que todas as mulheres esperando lá fora ouviram o recado e você pode soltar a porta sem medo, pois ninguém tentará abrí-la novamente (nisso nós mulheres nos respeitamos muito)  e você pode procurar teu lenço sem angústia. Você gostaria de usar todos, mas quão valiosos são  em casos similares e você guarda um, por via das dúvidas. Você então começa a contar os segundos que faltam para você sair dali, suando porque você está vestindo o casaco já que não há gancho na porta ou cabide para pendurá-lo. É incrível o calor que faz nestes lugares tão pequenos e nessa posição de força que parece que as coxas e panturrilhas vão explodir. Sem falar da porrada que você levou da porta, a dor na nuca pela alça da bolsa, o suor que corre da testa, as pernas salpicadas...
A lembrança de tua mãe, que estaria morrendo de vergonha se te visse assim, porque sua bunda nunca tocou o vaso de um banheiro público, porque, francamente, "você não sabe que doenças você pode pegar ali" .... você está exausta. Ao ficar de pé você não sente mais as pernas.. Você acomoda a roupa rapidíssimo e tira a alça da bolsa por cima da cabeça!...
Você, então, vai à pia lavar as mãos. Está tudo cheio de água, então você não pode soltar a bolsa nem por um segundo. Você a pendura em um ombro, e não sabendo como funciona a torneira automática, você a toca até que consegue fazer sair um filete de água fresca e estende a mão em busca de sabão. Você se lava na posição de corcunda de notre dame para não deixar a bolsa escorregar para baixo do filete de água... O secador, você nem usa. um traste inútil, então você seca as mãos na roupa porque nem pensar usar o último lenço e papel que sobrou na bolsa para isso.
Você então sai. Sorte se um pedaço de papel higiênico não tiver grudado no sapato e você sair arrastando-o, ou pior, a saia levantada, presa na meia-calça, que você teve que levantar à velocidade da luz, e te deixou com a bunda à mostra!
Nesse momento, você vê o seu carinha, que entrou e saiu do banheiro masculino e ainda teve tempo de sobra para ler um livro enquanto esperava por você.
"Por que você demorou tanto?"  pergunta o idiota. 
Você se limita a responder : " A fila estava enorme"

E esta é a razão porque as mulheres vão ao banheiro em grupo. Por solidariedade, já que uma segura a tua bolsa e o casaco, a outra segura a porta e assim fica muito mais simples e rápido já  que você só tem que se concentrar em manter "a posição" e a dignidade.
Obrigada a todas as amigas que já me acompanharam ao banheiro e que os homens entendam o pq de tanta demora.

P.S.: Obrigada messsmo!!! kkkkkkkk...

Don't Worry be Happy - Mart'nália



" Sou como você me vê, posso ser leve como uma brisa, ou forte como uma ventania...
Depende de quando e como você me vê passar."

Clarice Lispector