Hoje aconteceu uma coisa bem especial. Recebi de meu afilhado um presente de dia das mães, juntamente com um cartãozinho (feito por ele) onde dizia que sou sua segunda mãe. Lindo. Lindo mesmo. Ainda não tenho filhos e, por vontade Divina, também não tenho mãe. Deus, achou por bem levá-la quando eu tinha apenas três anos de idade. Agora, a falta que sempre senti dela está se atenuando. Acredito que seja por saber que ela continua viva, em algum lugar. Mas, nem sempre foi assim. Não tenho lembranças de minha mãe, afinal, era muito pequena quando a perdi. O que sei sobre ela, é somente o que minha família me contou durante todos estes anos. As recordações que trago são somente fantasias. Lembro-me com nitidez que na minha infância, meu pai nos levava (eu e meu irmão) para visitar seu túmulo. Eu odiava aquilo. Odiava estar lá e ter que encarar de frente que nunca a teria por perto. E que teria que conviver (talvez para sempre) com minha madrasta má. Certa vez, quando lá estivemos, escutei pela primeira vez uma oração espírita em favor dos desencarnados. A oração dizia que os mortos reencarnavam e que poderiam voltar a conviver conosco. Hoje entendo perfeitamente a que isso se referia, mas na época, não. E me pus a esperar minha mãe. Toda vez que algo de ruim acontecia, eu pedia à Deus que a trouxesse de volta o mais rápido possível. Como se a qualquer momento, minha mãe fosse bater na porta e dizer que estava tudo bem. E que tudo iria mudar...num passe de mágica.
Fui crescendo e a vontade de ter uma mãe, aumentando. A fase escolar foi a mais difícil. Minha mãe nunca esteve presente nas homenagens, nas apresentações, nas entregas de boletins. Então, estas datas nunca tiveram muita graça pra mim. Recordo que na adolescência eu sentia uma pontinha de inveja das minhas amigas, com suas mães carinhosas, protetoras ou descoladas. Além de minha tia (que me criou) tive muitas mães emprestadas. Pessoas que se afeiçoaram à mim e pelas quais também me afeiçoei. Até hoje ainda tenho. E foi isso que amenizou a minha caminhada.
Hoje, minha visão sobre minha mãe está diferente, porque entendo que há todo um planejamento antes de reencarnarmos e que nada acontece por acaso. Ela se foi, na hora certa de ir. E que se não contei com sua presença física desde tenra idade, certamente, espiritualmente, ela sempre esteve lá. Nas homenagens, apresentações, nas entregas de boletins...
Acredito que quando nos reencontrarmos, minha mãe me contará o que sentiu quando me via progredir na escola, quando me via chorar por algum namorado ou quando, por qualquer motivo, eu sorria. Saberá descrever os momentos que me transformaram de uma menina frágil em uma forte mulher. Será capaz de me contar com riqueza de detalhes, todas as provações das quais saí vitoriosa e todas as lutas que perdi. E isto já me basta.
Porque sei, que de onde esteve, minha mãe sempre enviou-me luz e orgulhou-se de mim.
Porque sei, que na verdade, eu nunca perdi minha mãe...ela sempre esteve aqui.
***
Presto aqui minha homenagem às minhas primas Rose e Cida e minha tia Ana, por serem essas mães guerreiras.
A tia Maria Elena, obrigado por ter-me aceitado como filha. Obrigado por tudo.
À minha amiga e mana Deise (a mãe mais linda e amada do ano) desejo luz, força e uma "boa hora".
À todas as minhas amigas que são mães (sem exceção) o meu sincero carinho e admiração.
E à todas as demais mães...Felicidades!!
Bjussss à todos!!!
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